12 junho 2017

Conto: Você nunca será um bom par, se não for um bom ímpar - Carla Azevedo



Hoje tinha tudo para ser um domingo monótomo qualquer, mas não, hoje é dia 12 de junho, dia dos namorados. Acordei com uma mensagem do Mateus, tínhamos apenas um relacionamento casual.

"Tá livre hoje a noite? Podemos repetir o que não terminamos ontem" 

Meu estomago revirou, cenas da noite anterior passaram como lampejos na minha mente, corri até o banheiro, mas não deu tempo chegar até a privada, vomitei na porta, diferentes cores de líquidos jaziam no chão. Minha cabeça explodia de dor, sentei no chão com a cabeça entre os joelhos e comecei a chorar, primeira vez que chorei desde o termino do meu relacionamento, fazia mais de um mês.
Perdi a noção do tempo de quanto tempo fiquei lá. Quando as lagrimas cessaram um enorme vazio se alastrou no meu peito e fez uma morada permanente, levantei, limpei o vômito do chão e entrei no chuveiro, deixei a água correr lentamente pela pele nua. lembrei do sexo com o Mateus, um dia apos meu termino de 2 anos com o Bernardo, sai para beber com a turma da faculdade, bebi como costumava antes de conhecer meu ex namorado, que era contra qualquer tipo de droga, seja ilícita ou licita, inclusive álcool, eu havia deixado de beber por conta dele, mas essa noite queria fazer tudo que abri mão. O Mateus era louco para ficar comigo desde o primeiro dia de aula, resolvi dar uma chance aquela noite, dividimos a cerveja, dançamos muito e no fim da noite terminamos debaixo dos lençóis na sua cama. 
Estávamos nesse lance casual a quase um mês, quando batia a carência sexual, mandávamos mensagem um para o outro e a noite terminava em orgasmos múltiplos. Nossa relação era assim, sem aperto de mão, sem beijo de boa noite, apenas sexo. Lembrei do Bernardo, dos nossos 2 anos juntos,das juras de amor, de planejar nosso futuro, de beijos de esquimó antes de dormir. beijo de bom dia. Apesar do vazio, as lagrimas não caiam, desliguei o chuveiro e encarei o reflexo que sorria de volta para mim, cabelo ondulado, olhos verdes, covinhas nas bochechas. encarei por alguns minutos aquela imagem, eu já havia passando por tantas coisas e continuava ali forte, pronta para encarar qualquer obstaculo.
Tomei um aspirina vestir uma camisola, quando estava pronta para voltar para a cama, o celular tocou novamente, a galera solteira da faculdade iria para um reegue, ainda 11 da manhã, coloquei o celular no silencioso e me entreguei novamente aos braços de Morfeu.
Acordei quase 17 com a campainha tocando insistentemente, abri a porta sem muito entusiasmo.
Mabel já entrou dando pulinhos de alegrias, um traço que fazia parte de sua personalidade.
- Amiga, você não acredita. o Alessandro me pediu em casamento.
Ela deu pulos agitados enquanto me mostra um anel de ouro no seu dedo anelar.
- Parabéns amiga, estou muito feliz por você
Eu duvidava do relacionamento dos dois, estavam juntos somente a 6 meses, como tomar uma decisão tão importante em tão pouco tempo.
- Você vai sair hoje com a turma? terá show do Roger
- Eu não sei, ainda estou mal pela noite de ontem.
-Sério Isabelle, eu não sei porque ficou tão mal, desde o incio o Mateus deixou bem claro que o lance de vocês seria algo casual, e você até preferiu assim pois tinha acabado de sair de um relacionamento complicado à pouco tempo.
- Eu sei Bel, eu só me senti humilhada por ver ele pegando outra na minha frente sendo que quase transamos no banheiro. Quer saber esquece. Eu tenho que passar na casa de tia Raquel, de lá acho que vou encontrar a galera.
- Certo amiga, eu e o Ale estamos pensando em ir.
- Então até mais Tarde Bel
- Até Isa
Mabel saiu me deixando com uma duvida, eu adorava o sexo com o Mateus, mas queria ter alguém do meu lado, mas não como o Bernardo, esse foi um dos relacionamentos que mais me fez feliz, mas o que me fez sofrer.
Seria possível querer alguém para fazer morada no coração mas ao mesmo tempo não querer um relacionamento sério?
Usei um vestido xadrez com botas de cano curto, demorei mais ou menos meia hora fazendo a maquiagem e passei na casa de tia Raquel, era seu aniversario de casamento, havia chegado cedo, ainda não tinha nenhum convidado no salão do prédio, subi no seu apartamento e vi ela brigando com tio Diego. Eles pareciam um casal tão feliz, mas só pareciam, aquilo era somente uma mascara que eles apresentavam para a sociedade.
Bati na porta e entrei
-Feliz aniversario de casamento tia Raquel e tio Diego. Não vou ficar muito, mas essa é minha lembrancinha.
- Obrigada querida. - Disse tia Raquel limpando as lagrimas dos olhos.
Caminhei lentamente observando as ruas, haviam varias casais, uns pareciam felizes, outros nem tanto. Pessoas passavam cantarolando a melodia que ecoava nos fones de ouvidos.
Era apenas 8:30 e o lugar já estava lotado, encontrei meus amigos perto do bar, a maioria deles já pareciam bêbados, não duvidei que estivessem bebendo desde o almoço.
-Iiiiiiiiiiiisa - Mateus gritou no meio da multidão já me abraçando - Por que não respondeu minha mensagem?
-Não estava afim baby. - Essa assim como eu costumava chama-lo quando estava sendo irônica.
Dancei muito, bebi demais.
Perto da meia noite meus pés me matavam, sentei no sofá e fiquei observando as pessoas enquanto tomava o último gole da cerveja. Abrir o instagram para postar as fotos que tirei com as meninas, assim que abrir o aplicativo vi uma foto com a frase

"Você nunca será um bom par, se não for um bom ímpar"

Comecei a observar as pessoas ao meu redor. Lembrei da Mabel feliz com o noivo, da minha tia que tinha seu casamento de fachada, dos meus pais divorciados, lembrei de diversos casais e solteiros que conheci durante toda minha vida. Peguei mais uma cerveja e voltei a sentar, sorri para mim mesma.
É tao engraçado a forma como a vida brinca conosco. Existem pessoas que estão felizes sendo solteiras, casais com tão pouco tempo que são bem mais felizes que casais com 50/60 anos juntos, sabe? a vida não tem um padrão a ser seguido. Desde meu ultimo relacionamento perguntei qual era meu defeito para não ter feito dar certo, mas agora pude descobrir, eu não era um bom impar por isso jamais seria um bom par.
 O Mateus, beijava a Lívia, uma garota loira do curso de farmácia, sai dali e fui dançar, a pista de dança estava vazia, mesmo assim não me intimidei ao entrar no ritmo da música na frente de todos.
Já fui diversas vezes contatinho de alguém, em outros casos fui o amor eterno da pessoa. Agora quero ser somente o amor da minha vida, felicidade não depende de estar ao não com alguém, da mesma forma que não depende o tempo que estão juntos, pode ser 1 mes/1 ano ou 1 século.
Felicidade não se limita a datas.

Hoje tinha tudo para ser um domingo monótomo qualquer, mas não, hoje é dia 12 de junho, dia dos namorados. O dia em que aprendi a ser um bom ímpar para ser um bom par. 

4 comentários:


  1. Uau que conto lindo ♥♥♥
    As vezes nos esquecemos que basta a nossa companhia, o nosso amor próprio e depois que conseguimos pensar assim encontraremos alguém ou não, tudo é uma questão de escolha :)
    Amei muito e fiquei feliz por ela ter escolhido ser ímpar ♥
    ótima quarta
    bjo

    Tati C.

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    1. verdade Tati. o ser humano busca um relacionamento sem ser feliz consigo mesmo, isso é um erro gigante
      fico feliz que tenha gostado <3

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  2. Sempre fui um bom ímpar. Me acho melhor solteira. É bom ter um companheiro mas isso de ter alguém pra chamar de meu não combina comigo. Cada um na sua e a amizade continua!

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    1. verdade, melhor abrir mão do que continuar em um relacionamento que não faz bem

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