16
fev
2017
Entrevista com o Autor Hugo Sales
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Vocês sabiam que hoje (16/02) é o dia do repórter? E para comemorar eu trouxe aqui uma entrevista de um colega de trabalho que admiro muito o Hugo Sales, no ano passado nos dois formos indicado ao prêmio de literatura
O Hugo publicou em diversos livros da Andross Editora e hoje trabalha para a editora como organizador de antologias. Fiquei contente ao saber disso, pois ele é realmente um daqueles escritores que voce olha e pensa "quero ser assim como crescer"
Então chega de enrolação e vamos a entrevista
Dose de Poesia: Em que momento da sua vida você
descobriu que gostaria de ser escritor?
Hugo: Eu descobri que
gostava de contar histórias ainda na adolescência. Jogava muito RPG com os meus
amigos, onde eu adorava narrar as nossas aventuras. Aí foi o começo de tudo, eu
acho. Clichê? Talvez. Escrever, de fato, aconteceu tardiamente. Depois de me
apaixonar pela leitura - também tardiamente.
Eu era daqueles
alunos que não gostava de ler na escola e não tinha muito incentivo, então passava
longe sempre que possível. Eu comecei a ler mesmo, anos depois, em meu segundo
trabalho. Possuía bastante tempo ocioso e encontrei na leitura uma forma de
gastá-lo bem. A coisa ganhou força e me deu vida, abriu novos horizontes,
transformou-me. Ler é uma paixão hoje em dia, até mais que escrever. Eu não
seria ninguém sem os livros que li, sejam eles bons ou ruins.
De tanto ler, cheguei
ao ponto de começar a rascunhar um texto aqui e outro ali, inspirado por outros
autores, por outras histórias. Estes primeiros rascunhos eram horríveis, mas
eles deram início à minha carreira como escritor – se é que eu posso chamar de
carreira.
Então, eu
comecei a escrever como forma de passar o tempo, para mim mesmo, nada mais que
uma brincadeira, eu acho. Algum tempo depois isso se tornou a minha vida porque
foi na escrita que eu realmente encontrei um sentido para viver e enfrentar
tudo e todos.
Dose de Poesia: Sua família te apoiou nesta decisão?
Hugo: Eles nunca
foram contra ou tentaram me impedir, também nunca agiram com negatividade, o
que já é muita coisa se for analisar bem. Eles sempre ficaram felizes com as
minhas publicações, e hoje em dia, dizem com certo orgulho que sou escritor. Eu
gosto de ver o lado bom e tomo isso como apoio. Até porque, mesmo sem qualquer
apoio, eu seguiria em frente.
Dose de Poesia: Você pretende continuar escrevendo em
antologias ou pretende publicar um livro solo?
Hugo: Eu adoro
produzir contos. É um gênero no qual me sinto bem ao escrever. Quero participar
sempre de antologias bacanas. Além disso, sou defensor dos contos como porta de
entrada para drogas mais pesadas, como os romances. É um gênero incrível, mas
com pouco espaço e divulgação no Brasil. Mas, acredito que o cenário esteja
mudando.
Atualmente,
possuo dois romances escritos, um de terror e outro de drama, e um terceiro sendo
criado, também de terror. Não sei se serão publicados ou quando serão, são
minhas primeiras tentativas de produzir romances. Mas, sim, eu quero muito
publicar livros solos, o máximo deles que eu puder enquanto viver. Para isso
acontecer, tenho um longo caminho a percorrer e muitas palavras para escrever.
Em Setembro
devo lançar um projeto bacana. Livro? Conto? Novela? Quem sabe? Não posso falar
muito sobre ele ainda.
Dose de Poesia: Em algum conto/poema você usou suas
personalidades ou a sua própria vida para escreve-lo?
Hugo: Eu já me
inspirei em fatos reais acontecidos comigo. Nós, escritores, costumamos brincar
que às vezes sangramos na página em branco, mas ao invés de tingi-la com sangue
usamos as palavras. É terapêutico lidar com alguns problemas e dificuldades
colocando-os em alguns textos. Faço bastante isso no meu blog, o Legado das
Palavras. Quase todos os textos são de caráter biográfico.
Dose de Poesia: De onde vem seus personagens? Já usou
alguém que conhecia como inspiração?
Hugo: Acredito que
parte do processo de escrita é observar e absorver o mundo ao nosso redor,
tentar transpor algumas dessas coisas em palavras. E isso faz com que pessoas
ao meu redor me inspirem. Normalmente, eu imagino a história antes de tudo,
depois crio o cenário e a partir daí tento criar os personagens. Gosto que eles
interajam no enredo e não sejam apenas robozinhos que fazem a narrativa
funcionar. Tento ao máximo deixá-los livres, por isso, não faço muitas
anotações prévias sobre eles. Gosto de pensar que descobri-los dentro da
história, penso que dá mais veracidade. Ver como eles reagem diante das
circunstâncias, como lidam com as situações é um processo bem legal. Eu sei que
sou eu quem está fazendo as coisas acontecerem, mas, acredite quando digo que eles
parecem ganhar vida própria, pois é o que acontece.
E, claro, já
usei muitos conhecidos meus como inspiração. Tenho a sorte de estar rodeado por
pessoas boas e incríveis, difícil não ficar inspirado com elas. Já criei muitos
personagens inspirados em traços de minha personalidade ou na personalidade de
outras pessoas, contudo, foram raras as vezes que concebi um personagem para
ser como alguém que conheço aqui no mundo real.
Dose de Poesia: Quais suas ambições como escritor?
Hugo: Eu só quero
escrever as minhas histórias. Desejo isso para o resto dos meus dias. Não ligo
para fortuna ou fama, desde que eu possa viver e escrever, ótimo! Penso que não
tenho grandes ambições como escritor, embora viver da arte de escrever seja um
objetivo ainda distante. Por fim, escrever é o mais importante de tudo.
Dose de Poesia: Qual seu livro e gênero favorito e
porque?
Hugo: O meu livro
favorito até o momento é O Lado Bom da Vida. Gosto das mensagens que aprendi
com a história e seus personagens. Foi um livro com grande impacto sobre mim.
Gênero favorito é difícil escolher um só, mas fico com o gênero Stephen King...
Ops, terror.
Porque nós
gostamos de sentir medo e isso faz um bem danado. Gostaria de compartilhar o
trecho de uma matéria que li há algum tempo:
“As aulas de
ciências ensinam que medo, ansiedade e estresse ajudaram o homem a evitar o
perigo e a progredir. Evolutivamente importantes, eles aumentam a eficiência do
organismo, deixando-o pronto para a briga. Assim que o cérebro percebe uma
ameaça, um sistema chamado circuito do medo entra em ação. Formado por núcleos
cerebrais como a amígdala e o hipocampo, ele libera neuro-hormônios e
neurotransmissores para defender o organismo. Dopamina, endorfina e adrenalina
vão para o sangue, preparando o corpo para a reação. Só que, quando o monstro é
de papelão, o cérebro percebe a pegadinha e suspende a produção das
substâncias. E a alta da dopamina, que deixa o corpo atento e alerta durante
esses momentos, dá sensação de prazer e calma. Como se o corpo ficasse chapado
em segundos. “Liberações rápidas de dopamina provocam reações agradáveis e
muito prazerosas”, diz Antônio Nardi, coordenador do Laboratório de Pânico e
Respiração da UFRJ. “Só quando ela perdura no organismo vêm as reações ruins,
como confusão mental e fadiga.”
Dose de Poesia: Alguma vez você aprendeu algo com uma crítica? Se aprendeu,
isso mudou seu jeito de escrever?
Hugo: Críticas são bem vindas. Muitas me
ajudaram a ver as coisas sob outras perspectivas. Mas, é necessário saber
filtrá-las. Dê total preferência às críticas construtivas e simplesmente ignore
as destrutivas – isso tem funcionado comigo. Nenhuma crítica alterou o meu modo
de escrever, no entanto, mas algumas vieram em boas horas e acrescentaram
bagagem em minha escrita.
Dose de Poesia: Como você se sentiu ao ser indicado 4
vezes ao premio strix da andross editora e ganhado 3 delas?
Hugo: Às vezes, eu
nem acredito. Foram alguns dos momentos mais marcantes de minha curta jornada
na arte de escrever. As quatro indicações foram para contos que eu gosto muito,
histórias que escrevi com todo carinho e dedicação, então, vejo-as como frutos
desses trabalhos. Mas, confesso, fiquei surpreso com todas elas. Surpreso e
muito feliz, claro. Levo isso como prova de que é possível evoluir na escrita
com muito estudo, prática e dedicação.
Dose de Poesia: Agora que esta organizando sua primeira
antologia sente falta de publicar como autor nos livros da andross? E como se
sentiu quando foi convidado para organiza-la?
Hugo: Eu ainda
continuarei a publicar contos! Em 2017 devo ter dois ou três publicados pela
Andross, então, não sentirei falta disso.
O convite foi
outra surpresa. Encaro esse estagio como organizador como uma grande oportunidade
de aprendizado. É vital para os escritores independentes ter contato com o
mercado e o que rola por trás das cortinas de uma editora, eu estou gostando
bastante! O desafio é grande, mas acredito que veio na hora certa. Estou
contente em fazer parte de um projeto tão bacana como o livro Mão de Ferro,
agora, como co-organizador.
Dose de Poesia: Qual mensagem você pretende passar
àqueles que querem se tornar escritores?
Hugo: Leia. Escreva.
Escreva muito. Escreva mais ainda. Estude. Aprenda até mesmo técnicas que não
vá usar. E escreve ainda mais.
Não desista dos
seus sonhos por mais distantes que eles pareçam estar. Também não ouça a
negatividade das pessoas, embora muitas delas não falem por mal, é extremamente
importante saber o que se quer fazer e seguir em frente. Bukowski disse: Ache o que você ama e deixe isso te matar.
Ou algo assim.
E é bem por aí.
A vida de escritor é corrida e não tem todo o
glamour que parece ter, mas, ao mesmo tempo, é algo incrível. Uma vida que vale
a pena ser vivida. Contraditório? Talvez. Mas poder tocar os outros com as
nossas palavras, dar algum conforto através delas, exorcizar nossos demônios ou
simplesmente deixar as pessoas com as calças borradas de medo é realmente
maravilhoso.
postado por
Kleyde
Canceriana, 24 anos, Baiana, Escritora, 5 livros publicados, Graduada em Engenharia Elétrica. Apaixonada por Harry Potter, livros, séries, chocolates, cheiro de chuva, culinária e viagens. Futura engenheira, fotógrafa amadora e atriz nas horas vagas. Não começa o dia sem uma xícara de café nem termina sem uma de chá.


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