10
mar
2015
Carnaval Carioca
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meus contos•
texto
Sábado a noite. A musica tocava ao fundo, na tv,
mulheres semi-nuas dançavam trajando grandes roupas com penas, perolas e
adereços diversos que nem sequer cobria-lhe as partes intimas. Eu estava de folga, minha namorada havia me
deixado dias antes, agora nada mais importava, sentei na mesa de um bar e pedi
uma dose de uísque, observei as pessoas ao meu redor, gostava de tentar
imaginar suas vidas através de suas expressões.
Uma mulher que se sentava ao longe, me chamou a
atenção. Ela tinha pele clara, cabelos longos que caiam de um rabo de cavalo,
vestia um jeans surrado e um moletom que dizia com letras descascadas I <3
NY aparentava ter no máximo 18 anos. Seu sorriso era singelo, e em intervalos
de segundos olhava para a tela do celular, como se estivesse aflita por não
receber um sms. Um garçom aproximou-se, ela rejeitou educadamente e atendeu a
ligação no primeiro toque. Ela sussurrava e em seus lábios surgiu um grande
sorriso
Terminei
minha bebida, minha mente ainda não se embriagara com álcool o suficiente para
me fazer esquecer a Sofhia.
A garota saiu com passos ligeiros e ritmados, eu
a segui ao longe. Próximo a esquina do bar um garoto já a esperava, ele era
alto, robusto com barba mal feita, aparentava ser bem mais velho que ela. De
mãos dadas eles seguiram em direção a uma festa que aconteceria próximo dali, o
ritmo carioca já se escutava, mesmo a varias quadras de distancia. Acendi um
cigarro e continuei os seguindo. Pelo que pude ouvir seu nome era jessica. A
menor de 50 metros da festa, eles pararam próximo a um beco. O menino sussurrou
em seu ouvindo, passando a mao sob seus seios por baixo do moletom, ela
retrucou, com o intuito de se afastar, um policial que rondava as ruas em época
de carnaval, nada fez, parecia que aquela cena já havia se repetido diversas e
diversas vezes. Ele era insistente, tirou sua calça com um único movimento,
entre berros e tapas, lagrimas escorriam do rosto da garota que gritava por
ajuda. mas nenhuma alma se arriscava a interferir, minhas pernas estavam
bambas, nenhum rugido saia da minha boca, observei a cena paralisado. O garoto
deu fortes tapas deixando hematomas na pele pálida, se despiu e a estuprou ali
mesmo, diante dos meus olhos, a menina havia se cansado de lutar, seus membros
não mais se moviam, seus olhos estavam semi serrados. O garoto subiu o zíper,
se afastou do local com uma grande gargalhada.
E ali estou eu, sábado a noite, num beco do rio
de janeiro, em pleno carnaval com uma garota semi nua coberta de sangue e de
que sei apenas seu nome.
eu quis mostrar outro lado do carnaval.
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postado por
Kleyde
Canceriana, 24 anos, Baiana, Escritora, 5 livros publicados, Graduada em Engenharia Elétrica. Apaixonada por Harry Potter, livros, séries, chocolates, cheiro de chuva, culinária e viagens. Futura engenheira, fotógrafa amadora e atriz nas horas vagas. Não começa o dia sem uma xícara de café nem termina sem uma de chá.


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