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Conto: Imutavel é somente o significado da palavra mutavel - Carla Azevedo - BEDA#14




tudo na vida é mutavel, o sentimento que agora aqui uso para escrever este conto daqui a algum tempo ja nao mais existira. o amor que hoje sinto por alguem pode ser que daqui a alguns dias/meses/anos se tornem apenas lembranças embaçadas representadas em fotograficas guardadas a 7 chaves dentro da gaveta.

algumas pessoas dizem que mudei, que ja nao sou mais aquela garota doce e sentil. meu bem, voce ja escutou alguma vez que tudo na vida sao apenas fases? a terra gira e quem nao acompanha seu movimento, sinto muito dizer mas sua comodidade nao lhe levara a nada.

quando eu tinha 5 anos queria ser arqueologa, nada e nem ninguem fazia mudar meu pensamento, aos 7 queria ser astronauta. e de 10 aos 16 queria ser medica. agora que sou de maior nao sei nem qual sabor de sorvete quero quanto mais a profissao que quero seguir pro resto da minha vida. tenho que te contar uma verdade sobre horoscopos, eles nunca estao certos, quem foi que disse que cancer é o signo mais confiante e decidido nao me conhece, sou a propria indecisao em pessoa

quero viver muitas vidas em uma so. beijar quantas pessoas minha boca aguentar, ir pra quantas festas desejar, viajar ate quando o dinheiro nao der, sorrir sem precisar de motivo. ora bolas, ja mudei o assunto do conto, nao consigo me decidir entre uma coisa e outra (tipico ne carla?)

um certo alguem uma vez me disse, nem mesmo os poetas mantem o sentimento quando escreveu sua poesia, nem mesmo meu sorriso vai ser o mesmo amanha, isso acontece ate mesmo com o amor, ele adormece e so aparece de tempos em tempos.



Projeto Escrevendo Sem Medo: Eu ainda Acredito na Bondade das pessoas


Morei em uma cidade pequena ate meus 17 anos de idade, na faixa de 13 mil habitantes, desde pequena sempre fui muito sensitiva, muito gentil com todos. Quando me formei no ensino médio passei direto para a faculdade na capital. surtei de felicidade, aquele era um dos meus maiores sonhos. Fui com meu pai resolver toda a burocracia, na volta para o apartamento, preferir ir a pé para conhecer mais a cidade, resolvemos sentar na praça da piedade, e uma mulher raquitica e gravida se aproximou da gente pedindo dinheiro para se alimentar, tinha apenas 20 reais no bolso, peguei e entreguei aquela garota com um sorriso no rosto, meu pai me olhou torto e vendo-a se afastar ele disse "ela deve usar para comprar drogas". Mas nem todos os moradores de ruas são assim, infelizmente a gente vive numa sociedade onde o discurso de meritocracia é altamente difundido aos ideais capitalistas e nem todos conseguem uma fonte de renda estavel. Saimos da Piedade e formos caminhar em alguns dos bairros proximos, almoçamos e quase chegando ao apartamento eu vi novamente a garota sentada com um cigarro na boca, aquela cena me doeu, vê alguem naquelas condições, gravida e a mercer de uma droga. Meu pai somente me olhou com aquele ar de te avisei.
Com tudo resolvido no dia seguinte pegamos o onibus e voltamos para casa.
Minha mãe estava surtando com o fato da sua filha "bondosa" ir para a selva de pedra. Sempre falava que eu não iria aguentar toda a pressão, que as pessoas são más e iriam se aproveitar de mim. Mas mesmo com essas frases no inicio do mês embarquei no terminal rodoviario.
Depois de quase 1 ano morando naquela cidade, passando por tanta coisa, necessidades, noites em claros no meio de lagrimas, sobrevivi aquilo, meu jeito de pensar mudou muita coisa, meus ideais e modo de ver o mundo e as pessoas. Numa noite voltando para casa a pé por não ter dinheiro para pagar a condução, estava com muito medo de ser assaltada ou até de acontecer algo pior, um senhor que aparentava ter entre 50 e 60 anos de moto taxi parou ao meu lado, no mesmo momento tremi e segurei a bolsa forte.
- Ta indo pra onde moça?
- Estou indo pro Barris senhor
- Sobe na moto então que te levo lá. 
- Não precisa não senhor, eu vou  a pé mesmo.
- Que isso, como uma menina nova dessa esta andando por Salvador uma hora dessas?
- É que não tenho dinheiro para pagar a corrida.
-Eu não vou cobrar de você não, pode subir
Coloquei o capacete, subi na moto e dei um endereço proximo de onde morava. Ele me deixou rapidamente no local indicado, sorrir ao entregar-lhe o capacete.
- Fica com Deus moça e cuidado.
- Muito obrigada pela carona.
Andei mais 5 metros até chegar no prédio, dei boa noite ao porteiro e subi.
Sabe, apesar de tudo que passei na capital, de ver tantas coisas ruins, tantas situações constrangedoras, tantas pessoas sofrendo. Apesar de tudo isso eu ainda acredito na bondade das pessoas, e que um dia isso vai prevalecer na personalidade humana.





Nunca namore uma canceriana - Carla Azevedo


Esse texto poderia ser um daqueles contos em que eu poderia falar mal dos defeitos do meu signo e o quão você vai sofrer de decidir namorar uma mulher de câncer. Ou talvez esse texto seja realmente sobre isso, tudo depende do seu julgamento. Eu como canceriana nata, nesses meus 20 anos e vários relacionamentos digo com toda certeza, nunca namore uma canceriana, nunca namore uma canceriana a não ser que esteja preparado para noites de choros a fio, para gritos em momentos de tpm, para ligações no meio da madrugada por conta de um terrível pesadelo, para ciúmes exagerados por causa de um oi daquela amiga, por brigas de traições em seus sonhos, nunca namore uma canceriana a ser não ser esteja preparado para ser mimado, para demonstrações de amor em público, para grudes e beijos fofo (alguns ela mesma inventa), para ganhar presentes feitos e que carregam uma simbologia. 
Nunca namore uma canceriana a não ser que esteja preparado para amar e principalmente ser amado. Pois meu amigo, ela fará de tudo para te fazer o homem mais feliz do mundo. 

Você é sim Capaz - Carla Azevedo


Eu acabei de me formar no curso de engenharia, de 50 alunos na minha turma, apenas 8% era mulher. Cresci aprendendo sobre as diferenças entre homens e mulheres, principalmente no campo de trabalho. Sempre fui uma das melhores alunas da turma, a mais dedicada, meu tcc recebeu nota máxima, sendo admirada por membros do conselho docente. Mas agora tudo parecia se formar, meu curriculo era ótimo, mas por ser uma engenheira mulher, parecia que me rejeitavam so no olhar. Eu estava na 13° entrevista de emprego nessa semana, mas não exitei, sabia que era capaz, eu sempre soube. desde que pisei meus pés naquela univerdade, eu soube das limitações no campo de trabalho. eu sou sim capaz, assim como qualquer outro homem. Entrei calmamente na sala, sentei e respondi as perguntas do gerente com confiança e convicção. Dai de la decidida de que havia feito uma boa entrevista, mas depois das entrevistas anteriores eu não sabia mais de nada. Cheguei em casa cansada, tirei o salto alto e me joguei na cama, estava exausta e cansada. Ouvi o telefone tocar, minha vontade era de deixar ali tocando, mas aquele barulho me irritava, levantei e reconheci a voz por tras da linha, era o gerente do qual fui entrevistada hoje.
- Por favor senhora Barbara?
- quem fala é ela
-Boa tarde Barbara, tudo bom? estou ligando do projeto seletivo para a vaga de emprego para engenheira civil. Você foi contratara. Quero tambem parabeniza-la. Você vai muito bem.na segunda feira apareça aqui na empresa para falarmos dos detalhes
Desliguei o telefone e sorrir, você é sim capaz, basta se dedicar ao máximo naquilo que acredita, e nao deixar que as barreiras lhe impeçam.

Então é natal - Carla Azevedo


Então é natal, essa sempre foi minha época do ano favorita, não por que ganho presentes de quase toda a familia ou pelo fato de ter que abrir o ziper da calça depois da ceia. Mas sim pela aurea magica que essa época tras, tenho uma familia enorme, mas a maioria vive longe, e nessa época do ano todos se reunem em um mesmo lugar para celebrar. O natal devia ser somente o nascimento do menino Jesus, mas se tornou mais um era de capitalismo, onde pessoas se amontam em lojas e shopping em busca de um presente perfeito. Mas ja parou para pensar que essas coisas não passam de especulações e não são elas que realmente tornam essa época do ano mágica? Pois eu sim, e é por esse motivo que eu amo tanto essa época, pois sei que o verdadeiro sentindo não é ter uma ceia grande ou ganhar presentes, mas sim passar ao lado daqueles que ama. Então você ainda vai continuar com esse pensando esdrúxulo correndo para as lojas para comprar presente ou vai valorizar o que realmente importa? 

Projeto Escrevendo Sem Medo: Minha Estação do Ano Favorita



Sempre pensei que minha estação do ano favorita fosse o outono, sempre gostei de sentar em um parque e ver o chão coberto de diversos tons de amarelo, laranja e marrom, a leve brisa das tardes calmas... 
Mas hoje percebo que minha estação do ano favorita é o inverno, não pelo frio ou chuvas constante, mas por tê-lo conhecido, inverno é uma estação tão triste e monótoma, mas você tornou aqueles dias de Junho mais felizes. 
Era uma noite chuvosa quando te vi passar pela primeira vez, fiquei te admirando ao longe rindo, por você não ter me reconhecido. Ainda lembro de todos os detalhes daquela noite, do beijo roubado, dos abraços no ar, do seu sorriso. 
Ai. Como guardo com tanto carinho aquele dia. Foi algo tão natural, naquele primeiro beijo senti que ja havia o conhecido de outras vidas, quem sabe isso não era mesmo verdade? Duas almas incompletas em busca do seu amor verdade. Parece clichê né? Mas é exatamente o que sinto. 
O que sinto todas as manhãs quando vejo uma mensagem de bom dia, o que sinto quanto te beijo, quando toco sua pele, quando somos um só na cama. 
Meu sentimento por ti só cresce, cresce cada vez mais com cada pequeno detalhe, com cada beijo, cada toque. 
Você entrou na minha vida assim de fininho, como uma folha voando ao vendo, e se instalou na minha vida assim como chuvas na madrugada de inverno, que a proposito são ótimas para deitar condigo debaixo da coberta e dormir abraçados.
Eu fico me lembrando daquele dia 25, as vezes paro e lembro de cada detalhe, fico sorrindo feito boba, e sabe por que? porque aquele foi um dos dias mais felizes da minha vida. 
E se me perguntarem qual minha estação do ano favorita, responderei inverno, pois foi quando conheci o amor da minha vida.


Projeto Escrevendo Sem Medo: Precisamos Falar Sobre Laços Superficiais - Carla Azevedo


23:59. Falta apenas um minuto para o dia 25 de Julho, meu aniversario termina em apenas 1 minutos e poucas pessoas se lembraram desse dia que era para ser necessariamente um dos mais felizes da minha vida. Nem minha melhor amiga lembrou. Pode parecer besteira, mas não é. 
Parece que cada dia mais as pessoas estão esquecendo o significado de empatia. 
Cada vez mais o ser humano têm sido mais e mais egoísta, se importando somente consigo. 
Não estou reclamando por não terem lembrado do meu aniversario, afinal dia 24 de julho pode ser um dia qualquer para outras pessoas enquanto para mim significa muito. Mas, falo isso pois estamos criando cada vez mais laços superficiais, amizades que acabam na primeira briga, relacionamentos que se desfazem com simples desculpas. 
Somos cada vez mais convictos a não confiar nas pessoas, a não se envolver ou se entregar muito pois já conhecemos o fim eminente que se repete a cada ciclo. 
Estamos acostumados criamos laços superficiais que se desfazem com um simples vento. 
Eu sinto falta de ter amizades verdadeiras que possa sempre contar, de ter um namorado que me apoie e esteja ao meu lado mesmo nos piores momentos principalmente naqueles em que eu me sinta destruida, mas infelizmente ou felizmente prefiro não criar laços com ninguem do que ter laços superficiais. 
Como é mesmo aquela frase? "Cuidado com os laços que você cria, os mesmos podem te sufocar" (Carla Azevedo). 
o relogio apita, é exatamente meia noite, hoje já não é mais o dia do meu nome (frase referente a série Game Of Thrones).
Thor que estava deitado no tapete, pula em cima na minha cama e deita sobre minhas pernas, acaricio seu pelo enquanto ele ronrona. Posso não ter todos esses laços mas o tenho e sei que o sentimento que ele nutre por mim é sincero...




BEDA #13: Ser Pai Na Adolescência - Carla Azevedo


Dizem que uma mulher se torna mãe quando vê aquelas duas listinhas ou o nome "positivo", já o homem só se torna pai quando segura pela primeira vez seu filho nos braços.
Quando a Rebeca me contou aos prantos sobre está gravida, meu mundo caiu, sentei no chão do banheiro com a cabeça entre as pernas e lagrimas cairam sem cessar, levantei depois de meia hora, Rebeca ainda estava deitada na cama onde eu a deixei, deitei ao seu lado, puxei seu corpo para perto do meu e comecei a acariciar seu cabelo, suas lagrimas ainda caiam, ela adormeceu. A acomodei levemente sobre o travesseiro e sai para a cozinha, preparei o leite com nescau que ela tanto ama, coloquei alguns biscoitos na bandeja e pão de forma, e levei na cama, Rebeca acabara de acordar, coloquei a bandeja em cima das suas pernas e beijei seu cabelo
- Tudo vai ficar bem meu amor, eu prometo. Agora coma,
Ela sorriu em agradecimento, seu sorriso era simples mas singelo.
Naquele dia minha vida mudou pra sempre, fui atras de um emprego melhor para poder sustentar meu filho e minha esposa. Passei finalmente no vestibular de direito, espero me tornar um otimo profissional para que tenha orgulho de mim.
Hoje finalmente posso te ter nos braços meu pequeno molequinho, já posso ouvir seu choro, lagrimas temem em cair novamente, desta vez não te tristeza como da primeira vez que soube sobre você, mas de felicidade.
Para um adolescente de 20 anos saber que seria pai é um grande baque, mas quando acompanhei seu crescimento e ver agora você nascer foi um dos momentos mais felizes da minha vida.
Você mudou minha vida de ponta cabeça, assim como sua mãe deixei muita coisa de lado, mas valeu a pena por você.


Projeto Escrevendo Sem Medo: O que há de errado com a humanidade?


Pela terceira vez no mês eu me atrasei, pontualidade não era uma palavra muito recorrente na minha rotina, roteirista e empresaria era dificil chegar sempre na hora certa, apesar do meu trabalho depender disso. Liguei para a Manuela e avisei que me atrasaria para os compromissos que teria pela manhã. O carro estava na manutenção , mas como o estúdio é cerca de meia hora a pé, decidir ir andando.
Peguei o casaco no cabide e olhei a previsão na tela do celular, 15 c°. Amo esse tempo frio. 
peguei o elevador e dei bom dia ao porteiro, e passei numa cafeteira que ficava ao lado do meu predio. Comprei um cappuchino e um bolinho de queijo, me sentei por alguns segundo e o celular vibrou no meu bolso. Era o Renato, estranhei a mensagem aquele horário, ele estava viajando a trabalho e o fuso horário onde encontrava-se, ainda era de madrugada. Ao ler as primeiras paginas da mensagem, meu corpo todo estremeceu, minhas mãos estavam tremendo, eu não estava acreditando no conteúdo da mesma.

"Isa, desculpas falar isso por mensagem, sei que não é nobre da minha parte, mas não da mais. Não consigo mais viver dessa forma, pra mim nosso relacionamento acabou"

Um sms curto mas fez meu mundo virar de cabeça para baixo. Tentei conter as lagrimas que teimavam em cair, a tristeza era mais pela quebra de rotina do que o terminio, era fato, eu não amava o Renato, mas terminar assim. não era justo com ambas as partes.
paguei o café e sai sem pressa. Decidir passar pelo parque, era o caminho mais longo, porém estava precisando colocar a cabeça em ordem. Fazia mais de meses que eu não vinha aqui, era tão próximo a minha casa, mas ultimamente faltava tempo, minha rotina era acordar cedo, ir para a academia, ir correndo ao trabalho, depois as aulas do mestrado, francês aos sábado e levava um pouco de trabalho pra casa aos domingos. Essa era minha rotina, não sobrava tempo para cuidar de mim.
Sentada em um dos bancos encontrei uma antiga amiga da faculdade que não via a alguns anos. Sentei ao seu lado e conversamos por algum tempo, seu sorriso era tão singelo, o seu olhar tinha um brilho tão grande. Ela me contou que havia se casado e estava esperando seu segundo filho.
O problema do ser humano ultimamente, é não darem valor as coisas reais, estamos tão acostumados a ter uma vida virtual, amigos virtuais, amores reais que nos esquecemos das pessoas que sempre estiveram do nosso lado.



Conto: A criança Que Você foi, teria orgulho da Adulta Que Você é Hoje? - Carla Azevedo


Acordei sem muito animo, 7 de abril, meu aniversario de 20 anos, tateei a cama procurando o celular, desliguei o despertador que zunia sem parar, levantei paulatinamente, peguei uma calça jeans e uma camiseta básica, depois da faculdade eu iria direto para o estagio, sentei na mesa do café onde o desjejum já me aguardava, minha mãe sairá cedo para o trabalho, tomei apenas uma xicara de café e um pão com manteiga, meu atraso poderia custar perder o ônibus. Cheguei correndo na sala de aula, o professor já tagarelava sobre direito penal, um dos meus assuntos preferidos no curso, mas minha cabeça estava invadida por devaneios que não prestei atenção sequer em uma palavra que saia da sua boca. Faltava ainda 15 para meio dia, fui direto para o refeitório da faculdade, pedi o mesmo PF de sempre, terminei o almoço e fui em direção ao escritório, a papelada já se encontrara na minha mesa, terminei todo o trabalho com maestria e fui em direção ao ponto de ônibus, olhei o visor do celular, 20:15, entrei no ônibus e coloquei o fone, aquele dia era para ser um dia especial mas se tornou apenas mais um dia qualquer, somos maquinas programadas pela sociedade, e todos aqueles sonhos que tivemos na infância? Aquelas histórias de contos de fadas, os livros com finais felizes, onde perdemos aquela inocência que tínhamos aos 7/8 anos? Quando criança eu queria tanto crescer, hoje eu percebo que aquela era a melhor fase da minha vida. Cheguei em casa por volta das 9 horas, a sala estava silenciosa, a essa hora minha mãe já havia chegado do trabalho, fui em direção a cozinha, liguei a luz e ela começou a cantar parabéns com um modesto bolo nas mãos, lagrimas escorriam sob as bochechas rosadas, lembrei da minha infância, das festas surpresas, das brincadeiras no parquinho, dos bolos de lama. Abracei minha mãe num abraço de urso. E me questionei sobre minha vida, a criança que eu fui teria orgulho da mulher que me tornei?

Conto: Transcender a superfície dos seres - Carla Azevedo


Eu toquei a superfície da água, sem deixar meu dedo transpor a barreira do liquido azul, olhei o horizonte e me perdi em devaneios. Deixei as lágrimas caírem lentamente, era sempre ali, naquele cais onde costumávamos nos encontrar. O vento acariciava minhas madeixas negras, fazendo-as dançar com a brisa. Dei um sorriso ao lembrar dos nossos momentos juntos, do teu sorriso, do seu cheiro de malbec, das tuas sardas, tuas covinhas.
 Depois que ultrapassei sua superfície puder realmente conhecer a pessoa que se escondia por trás daquele olhar que sempre parecia triste. Pude conhecer tuas manias, teus costumes, tuas paranoias e principalmente pude conhecer aquele homem que se mostrava apenas para aquelas pessoas fortes e determinadas que tinham força e coragem para transcender sua superfície e descobri-lo por completo 
Baixos soluços vieram para acompanhar as lagrimas que caiam sem trégua, limpei o rosto com a manga do suéter e continuei fitando o horizonte. 
O Bernardo havia morrido havia uma semana, tomado por um câncer de medula, ainda nos últimos minutos de vida era o homem que sempre foi, sorria e fazia piadas bobas.
Depois da sua ida percebi que conhecemos tão pouco das pessoas ao nosso redor, seja dos nossos amigos, familiares ou colegas, parece que só conhecemos sua superfície, aquilo que querem mostrar para a sociedade mas não quem são de verdade.
Até mesmo eu sou assim, durante meus 20 anos, milhares de pessoas entraram e saíram da minha vida, algumas permaneceram até hoje, mas somente uma pequena parcela delas conseguiram tocar através da superfície do meu ser e conhecer quem verdadeiramente sou. Poucas pessoas tiveram a curiosidade ou a coragem de transcender a superfície do meu ser... Poucas...


Conto: Você nunca será um bom par, se não for um bom ímpar - Carla Azevedo



Hoje tinha tudo para ser um domingo monótomo qualquer, mas não, hoje é dia 12 de junho, dia dos namorados. Acordei com uma mensagem do Mateus, tínhamos apenas um relacionamento casual.

"Tá livre hoje a noite? Podemos repetir o que não terminamos ontem" 

Meu estomago revirou, cenas da noite anterior passaram como lampejos na minha mente, corri até o banheiro, mas não deu tempo chegar até a privada, vomitei na porta, diferentes cores de líquidos jaziam no chão. Minha cabeça explodia de dor, sentei no chão com a cabeça entre os joelhos e comecei a chorar, primeira vez que chorei desde o termino do meu relacionamento, fazia mais de um mês.
Perdi a noção do tempo de quanto tempo fiquei lá. Quando as lagrimas cessaram um enorme vazio se alastrou no meu peito e fez uma morada permanente, levantei, limpei o vômito do chão e entrei no chuveiro, deixei a água correr lentamente pela pele nua. lembrei do sexo com o Mateus, um dia apos meu termino de 2 anos com o Bernardo, sai para beber com a turma da faculdade, bebi como costumava antes de conhecer meu ex namorado, que era contra qualquer tipo de droga, seja ilícita ou licita, inclusive álcool, eu havia deixado de beber por conta dele, mas essa noite queria fazer tudo que abri mão. O Mateus era louco para ficar comigo desde o primeiro dia de aula, resolvi dar uma chance aquela noite, dividimos a cerveja, dançamos muito e no fim da noite terminamos debaixo dos lençóis na sua cama. 
Estávamos nesse lance casual a quase um mês, quando batia a carência sexual, mandávamos mensagem um para o outro e a noite terminava em orgasmos múltiplos. Nossa relação era assim, sem aperto de mão, sem beijo de boa noite, apenas sexo. Lembrei do Bernardo, dos nossos 2 anos juntos,das juras de amor, de planejar nosso futuro, de beijos de esquimó antes de dormir. beijo de bom dia. Apesar do vazio, as lagrimas não caiam, desliguei o chuveiro e encarei o reflexo que sorria de volta para mim, cabelo ondulado, olhos verdes, covinhas nas bochechas. encarei por alguns minutos aquela imagem, eu já havia passando por tantas coisas e continuava ali forte, pronta para encarar qualquer obstaculo.
Tomei um aspirina vestir uma camisola, quando estava pronta para voltar para a cama, o celular tocou novamente, a galera solteira da faculdade iria para um reegue, ainda 11 da manhã, coloquei o celular no silencioso e me entreguei novamente aos braços de Morfeu.
Acordei quase 17 com a campainha tocando insistentemente, abri a porta sem muito entusiasmo.
Mabel já entrou dando pulinhos de alegrias, um traço que fazia parte de sua personalidade.
- Amiga, você não acredita. o Alessandro me pediu em casamento.
Ela deu pulos agitados enquanto me mostra um anel de ouro no seu dedo anelar.
- Parabéns amiga, estou muito feliz por você
Eu duvidava do relacionamento dos dois, estavam juntos somente a 6 meses, como tomar uma decisão tão importante em tão pouco tempo.
- Você vai sair hoje com a turma? terá show do Roger
- Eu não sei, ainda estou mal pela noite de ontem.
-Sério Isabelle, eu não sei porque ficou tão mal, desde o incio o Mateus deixou bem claro que o lance de vocês seria algo casual, e você até preferiu assim pois tinha acabado de sair de um relacionamento complicado à pouco tempo.
- Eu sei Bel, eu só me senti humilhada por ver ele pegando outra na minha frente sendo que quase transamos no banheiro. Quer saber esquece. Eu tenho que passar na casa de tia Raquel, de lá acho que vou encontrar a galera.
- Certo amiga, eu e o Ale estamos pensando em ir.
- Então até mais Tarde Bel
- Até Isa
Mabel saiu me deixando com uma duvida, eu adorava o sexo com o Mateus, mas queria ter alguém do meu lado, mas não como o Bernardo, esse foi um dos relacionamentos que mais me fez feliz, mas o que me fez sofrer.
Seria possível querer alguém para fazer morada no coração mas ao mesmo tempo não querer um relacionamento sério?
Usei um vestido xadrez com botas de cano curto, demorei mais ou menos meia hora fazendo a maquiagem e passei na casa de tia Raquel, era seu aniversario de casamento, havia chegado cedo, ainda não tinha nenhum convidado no salão do prédio, subi no seu apartamento e vi ela brigando com tio Diego. Eles pareciam um casal tão feliz, mas só pareciam, aquilo era somente uma mascara que eles apresentavam para a sociedade.
Bati na porta e entrei
-Feliz aniversario de casamento tia Raquel e tio Diego. Não vou ficar muito, mas essa é minha lembrancinha.
- Obrigada querida. - Disse tia Raquel limpando as lagrimas dos olhos.
Caminhei lentamente observando as ruas, haviam varias casais, uns pareciam felizes, outros nem tanto. Pessoas passavam cantarolando a melodia que ecoava nos fones de ouvidos.
Era apenas 8:30 e o lugar já estava lotado, encontrei meus amigos perto do bar, a maioria deles já pareciam bêbados, não duvidei que estivessem bebendo desde o almoço.
-Iiiiiiiiiiiisa - Mateus gritou no meio da multidão já me abraçando - Por que não respondeu minha mensagem?
-Não estava afim baby. - Essa assim como eu costumava chama-lo quando estava sendo irônica.
Dancei muito, bebi demais.
Perto da meia noite meus pés me matavam, sentei no sofá e fiquei observando as pessoas enquanto tomava o último gole da cerveja. Abrir o instagram para postar as fotos que tirei com as meninas, assim que abrir o aplicativo vi uma foto com a frase

"Você nunca será um bom par, se não for um bom ímpar"

Comecei a observar as pessoas ao meu redor. Lembrei da Mabel feliz com o noivo, da minha tia que tinha seu casamento de fachada, dos meus pais divorciados, lembrei de diversos casais e solteiros que conheci durante toda minha vida. Peguei mais uma cerveja e voltei a sentar, sorri para mim mesma.
É tao engraçado a forma como a vida brinca conosco. Existem pessoas que estão felizes sendo solteiras, casais com tão pouco tempo que são bem mais felizes que casais com 50/60 anos juntos, sabe? a vida não tem um padrão a ser seguido. Desde meu ultimo relacionamento perguntei qual era meu defeito para não ter feito dar certo, mas agora pude descobrir, eu não era um bom impar por isso jamais seria um bom par.
 O Mateus, beijava a Lívia, uma garota loira do curso de farmácia, sai dali e fui dançar, a pista de dança estava vazia, mesmo assim não me intimidei ao entrar no ritmo da música na frente de todos.
Já fui diversas vezes contatinho de alguém, em outros casos fui o amor eterno da pessoa. Agora quero ser somente o amor da minha vida, felicidade não depende de estar ao não com alguém, da mesma forma que não depende o tempo que estão juntos, pode ser 1 mes/1 ano ou 1 século.
Felicidade não se limita a datas.

Hoje tinha tudo para ser um domingo monótomo qualquer, mas não, hoje é dia 12 de junho, dia dos namorados. O dia em que aprendi a ser um bom ímpar para ser um bom par. 

Conto: Uma Melodia numa sexta de novembro - Carla Azevedo


O barzinho que eu amava ir para ouvir música ao vivo nas sextas-feira fechou, cheguei com meu look habitual, pin up, vestido de bolinhas, all star e bandana no cabelo, o bar fechou assim, sem explicação nenhuma, talvez tenha uma explicação lógica, infecção alimentar ou inspeção da defesa sanitária, confesso que nunca gostei muito da comida de la, sempre ia pela musica, eram apenas calouros da faculdade com um violão cantando sucesso de outra época, Renato Russo, Cazuza, Raul Seixas enchiam as ruas, vez ou outra alguém se arriscava com november rain do Guns, sentava na mesa de sempre, trazia o caderno para escrever poesia e pedia crocretas¹ com coca-cola, as vezes me aventurava por batata fritas e hambúrguer de bacon, mas gostava mesmo era da culinária espanhola do subúrbio de onde o dono do bar nascera.
Era uma noite qualquer de sexta, o frio de novembro tomava conta dos meus membros desprotegidos a chuva começara a cair lentamente, o bar esta fechado, nunca mais reuniria universitários afim de passar o tempo, nunca mais comeria as crocetas ou a batata frita gordurosa com o hambúrguer, nunca mais aquela melodia seria ouvida... espessas gotas geladas escorrem pelo meu rosto e cantarolei baixo “And it’s hard to hold a candle / In the cold november rain”*

*E é tão difícil carregar uma vela / na fria chuva de novembro 
1: crocretas é um prato tipico da culinária espanhola 

Projeto Escrevendo Sem Medo: Se eu tivesse poderes mágicos...


Eu tinha apenas 10 anos, enquanto as outras crianças gostariam de ser princesas para serem resgatadas por um príncipe em seu cavalo branco e os meninos queriam ser os super heróis da liga da justiça ou o Ben 10. eu gostaria de ser uma bruxa, de me perguntasse qual poder magico eu gostaria de ter, responderia sem pestanejar eu queria ser uma bruxa, sei, sei. isso não é bem um poder mas eu gostaria de ter magia correndo no meu sangue, de ir a hogwarts, jogar quadribol, ter aulas sobre herbologia e defesa contra artes das trevas. era meu sonho participar daquele mundo. 
aos 11 anos recebi a tão sonhada carta, aos gritos de felicidade contei a todos que finalmente meu grande sonho estaria se realizando, eu conheceria dumbledore, snape, e diversos outros professores, a felicidade foi se esvaindo algumas semanas seguintes quando Hagrid não veio me buscar para levar-me a Hogwarts, em meio a lagrimas de tristeza descobrir que a carta fora forjada, não, eu não tinha sangue mágico, eu era uma trouxa (pessoas não bruxas) como todos da minha família. Relutei em aceitar aquela dura realidade. 
Mas foi por causa dessa experiencia que pude notar que todos nos temos poderes magicos, basta imaginar, eu poderia ser uma bruxa, mas em vez disso eu virei escritora, posso visitar Hogwarts a qualquer momento, beber cerveja amanteigada com Harry, Rony e Hermione, cuidar do fofo (sim,sou boa com cães), lutar na batalha de Hogwarts. Poderia fazer qualquer uma dessas coisas basta usar o maior superpoder que tenho, o da imaginação.


Projeto Escrevendo Sem Medo: Coisas Mais Importantes da vida


Esta é uma frase tao simples mas ao mesmo tempo tao complexa. É como perguntar o sentindo da vida, para cada pessoa que fizer esta pergunta, obtera uma resposta diferente, assim acontece com esta mesma frase. é dificil definir as coisas mais importantes da vida, alguns diriam familia, outros fama, ja alguns amor. mas o que realmente é importante nas nossas vidas? 
veio milhoes de coisas na minha cabeça, se chocando como asteroides numa via lacta recem formada, entretanto nao demorei muito para pensar numa resposta, fui curta e grossa: minha familia. 
claro, meus pais, meus irmao, meus tios e primos, eram e sao pessoas muito importantes na minha vida, mas estou falando da minha propria familia.
engravidei ainda nova, nao tinha maturidade, nem psicologico para isso na epoca, perdi muitas das pessoas que considerava importantes, mas enfretei a barra sozinha com a ajuda da minha mae, nesse momento ela foi um anjo que deus havia me enviado. 
conheci o Gabriel quando Zelda tinha pouco mais de um ano, é incrivel a forma como nos conhecemos, na mesma semana ja estavamos perdidamente apaixonados um pelo outro, e desde o primeiro dia eu soube que era com ele que queria formar minha familia, com quem queria me casar, ter filhos e envelhecer. ele morava no rio de janeiro, eu no interior da bahia. Passamos por muitas coisas nesses 1 ano e 7 meses juntos, mas enfrentamos tudo de maos dadas e estamos juntos ate hoje. 
ainda vai demorar parar "sermos uma familia oficialmente" ou seja nos casarmos e morarmos juntos. Mas ja nós consideramos uma familia. Essas duas pessoas deixam minha vida mais completa, sem elas nao seria quem sou.

E para voce quais sao as coisas mais importantes da vida? Deixem nos comentarios e aproveitem para participar do projeto.


Desculpas meu bem, mas meu amor proprio é maior


e depois da sua ultima decepção amorosa, das ligaoes ressentidas e das mensagens nao respondidas, resolveu voltar a ser quem era antes de se apaixonar, uma mulher confiante e independente. Foi ao cabeleleiro mais proximo, as longas madeiras negras que eram sua marca registrada desde a adolescencia, deram lugar a um louro cobreado abaixo da orelha, saiu de la contente com o resultado,  foi ao shopping e mudou todo seu guarda roupa, saltos substituiriam seus all star , maquiagem se tornou sagrada, nunca saia de casa sem ela, sua cabeça que antes se mantinha abaixada por timidez perdeu lugar para dar lugar a um olhar confiante, sua voz que se limita apenas a conversas entre sua roda de amigos, agora falava com toda calma em publico, a menina timida que se escondia sob seus livros deu lugar a uma mulher confiante. Depois de meses, ele apareceu com uma mensagem dizendo "Saudades" sorriu, mas nao de felicidade mas sim por nem siquer lembrar-se dele. afinal como dizia isabela freitas "quem nunca mudou o cabelo pra mudar de vida?"

Carla Azevedo

Um Sorriso ou Dois



Era uma manhã de segunda-feira, minha cabeça girava, redemoinhos surgiam no teto, talvez fosse a falta de sono ou a bebedeira da noite anterior. Tateei a cama em busca do celular "droga, 7:20. estou atrasado pra faculdade novamente" levantei rapidamente, tropeçando em algum dos sapatos espalhados pelo chao do quarto. "Droga, droga,droga" repetia para mim mesmo enquanto buscava peças de roupas limpas. peguei minha carteira e ao abri-la deparei com uma unica nota de dois reais amassada no fundo "droga, gastei todo meu dinheiro com bebida novamente, nao tenho dinheiro nem pro onibus" tranquei rapidamente a casa e sai apressado. a pé chegaria na faculdade em 45 minutos. corri ladeira acima, minhas pernas ja sentiam a dor do cansaço. parei no sinal vermelho, uma moradora de rua me chamou atenção, ela usava uma blusa da banda queen rasgada em varias partes, um jeans surrado, ela colocava o cabelo cacheado atras da orelha numa maneira inutil de conter o fizz, em uma das maos tinha um saquinho marrom de onde saia um cheiro delicioso. acho que ela percebeu meu olhar, talvez para ela ou para o saquinho que carregava.
-Quer um pouco moço? - ela me disse abrindo um enorme sorriso, os dentes amarelos mostrava seu vicio em cigarros ou alguma droga do tipo. pela primeira vez desde que me mudei pra são paulo me senti feliz com o gesto de carinho.
-Não moça, muito obrigada. - meu estomago roncava, por causa do horario não tive tempo de tomar cafe da manha, aquele cheiro me atordoava.
-Pode pegar um, eu nao mordo moço - novamente sorriu e me sentia tao tranquilo, tao bem ao lado dela. - a proposito para onde estava indo com tanta pressa?
sentei ao seu lado na calçada, peguei um dos paezinhos e sorrir em agradecimento
- estava indo para a faculdade - sorrir ao lembrar da felicidade dos meus pais quando vi meu nome nos aprovados do vestibular de medicina da USP, meu sonho era ser medico, porem no ultimo mes estava dando mais valor  as festas do que a propria faculdade - acabei de passar em medicina e essa ja é a 6 vez que atraso para a aula nesse semestre - a gargalhada foi inevitavel.
ela me olhou e pude perceber que seus olhos cor de ambar tinha um brilho diferente.
- que fantastico. quando eu era pequena tambem queria ser medica, queria me especializar em cancerologia - ela deu uma pausa, olhando pra cima, talvez tentando conter as lagrimas que teimavam em rolar sob suas bochechas rosadas com marcas de sujeita.
- esqueci de me apresentar. meu nome é Fernando
- meu nome é Lena.
olhei a hora no meu celular, naquele momento so queria ficar ali ao lado daquela garota que menos tem mas quis dividir.
- sabe fernando - ela abaixou a cabeça sorrindo em direção ao chao -  meu pai era pedreiro e minha mae catava latinhas para completar nossa renda, ela sempre queria que eu e meu irmao fossemos alguem na vida, nunca deixou a gente trabalhar. nao queria o mesmo futuro para nos dois. quando completei 14 anos, descobrir que ela estava com cancer, meu pai havia morrido a menos de um ano. meu irmao teve que largar a faculdade de engenharia para sustentar nos duas, eu prometi para ela que seria medica, que iria ser cancerologia e iria curar ela do cancer de estomago. era horrivel ve-la numa cama vomitando sangue, nos seus ultimos segundos de vida, fez eu e o Bernardo prometer que iriamos nos formar e ser otimos profissionais. - ela fez uma pausa longa, queria tanto tocar sua mao, mostrar que ela nao estava mais sozinha - as coisas começaram a ficar dificeis pra mim e pro Bernardo, nos dois trabalhavamos mas nao dava nem para comer, lembro das inumeras vezes que iamos dormir com fome sem ter um unico real... foi ai que o Bernardo começou a traficar maconha, eu nao queria ele mexendo com aquilo, mas era a unica forma de termos dinheiro... de fugir da pobreza. finalmente tinhamos dinheiro para sair daquele buraco imundo - suas voz se alterou, suas maos estavam fechadas em formas de punhos ao lado do corpo, sua testa se contraiu formando pequenas rugas em cima da sobrancelha, nao consegui decifrar sua expressao. - alugamos uma casa, estavamos felizes, ate que os traficantes da zona sul descobriram que ele vendia a droga por um preço menor, o encurralaram, mataram da pior forma possivel, o esquartejaram e jogaram seus membros numa ribanceira - ela começou a chorar mais, suas lagrimas se misturavam a sujeita do seu corpo, dando uma cor amarronzada as mesmas. - o corpo dele so foi encontrado 3 dias depois, ele acabou sendo enterrado como indigente. depois que ele se foi eu nao tinha mais dinheiro, eu nao tinha mais ninguem, nao tinha mais nada, entao minha unica opção foi vim para as ruas. Meus pais batalharam tanto para que pudessemos ter uma vida melhor e olha como eu e ele acabamos. 
eu a abracei enquanto sentia suas lagrimas molharem minha camisa polo, a essa hora ja estaria louco com uma morada de rua sujando minha camisa de marca, naquele momento toda minha vida passou pelos meus olhos. meu sofrimento nem se comparava ao daquela garota, sempre tive tudo do bom e do melhor, com pais empresarios e donos de uma multinacional eu desconhecia o que era pobreza. olhei em seus olhos, vi meu reflexo refletido na iris dourada. toquei seu rosto e a beijei, senti uma onda de calafrios percorrer por todo meu corpo, finalmente eu estava completo. 

anos depois 
- por favor doutora Lena Carter comparecer a sala de cirurgia.
suas maos era precisa enquanto dava os ultimos pontos, quase 7 horas na sala de cirurgia para tirar um tumor maligno no cerebro de um paciente. Mais uma cirurgia bem sucedida.
Havia se passado mais de 15 anos desde que encontrei Lena pela primeira vez na rua vivendo como mendiga. muita coisa mudou desde entao, nos casamos, tivemos 2 filhos e ela pode finalmente cumprir a promessa que fez aos pais. ser cancerologia e salvar vidas. 

Carla Azevedo

















Sinto sua falta


Eu não falo no seu nome a todo instante e nem pergunto de você pra qualquer conhecido seu. Eu não fico vendo suas fotos e nem te perseguindo nas redes sociais. Não estou fazendo banca de durona, mas é que eu tenho em mente que: Se eu realmente quero esquecer alguém, eu não posso ficar procurando por ela a todo momento.
Mas sim, eu estou sentindo sua falta! Não sou de ferro e infelizmente eu ainda não consigo controlar pensamentos.
Seu rosto, ele às vezes aparece de relance em minha frente. Seu cheiro, às vezes alguém resolve passar do meu lado com o mesmo. Sua risada, às vezes as lembranças me torturam. Seu beijo, eu sinto saudades. 

Eu tô bem sem você, pelo simples fato de ter me acostumado a ficar só. Eu não fico triste e nem me lamentando pelos cantos, por já ser íntima das despedidas. Mas isso não quer dizer que eu não queira de volta. Na verdade, nem eu mesma sei se queria de volta, mas sim, eu sinto falta! 

É que eu tô com saudades dos momentos sossegados e dos momentos de stress também. Eu tô com saudade do sorriso, tô com saudade do toque, tô com saudade dos planos que eu já sabia que nunca seriam concretizados, mas só de comentarmos juntos e ter a sua risada no final delas, já me alegrava. Tô com saudade de todos os apelidos e de toda a intimidade. 

É que te ver aquele dia, me fez sentir um desejo enorme de te abraçar e dizer para voltarmos a ser “nós” outra vez. É que ver o seu olhar pra mim, com aquele sorrisinho de canto, me fez sentir muita vontade de dizer o quanto estava lindo com aquela blusa nova e aquele colar que conseguiu te deixar com um charme a mais.
Eu fico bem sem você, mas consigo ficar melhor com as nossas brincadeiras.
É que eu não consegui esquecer as loucuras que só cometi com você, e nem dos lugares que nunca tinha ido, que você me levou. É que  eu ainda lembro de nós dois quando vejo um casal na rua. 

Sim, eu finjo não está nem aí, e sim, todo mundo imagina que entre nós dois não existe mais nada. Mas só nós mesmo para saber o que se passa em nossa mente antes de dormir.
O orgulho é algo que nos destrói. Tanto para nós que não conseguimos tomar uma atitude, quanto pra outra pessoa que está esperando por uma atitude nossa.
 Mas cara, eu queria que você soubesse que eu ainda acho o seu rosto o mais lindo em meio a tantos. A sua risada, a mais engraçada. A sua voz, a mais gostosa de se ouvir. A sua companhia, a mais prazerosa.
               É que eu só queria que você soubesse, que eu ainda te amo mais que tudo e espero que um dia volte pra mim. 


Você é a ultima vez que faço isso


Ligava a tela do celular diversas vezes durante o dia esperando uma mensagem ou ligação que tinha certeza que nunca teria, havia se passado exatamente uma semana desde nosso terminio, nao recebera siquer nenhuma mensagem perguntando se estava bem, os dias nunca passaram tao lento. "siga em frente", "ele nao te merecia" e "ele saiu da sua vida para alguem melhor entrar" aquelas coisas decoradas quando amigas dizem para te fazer se sentir melhor. porem naquele momento eu so queria ficar sozinha comigo mesma, nao queria algo pra me fazer se esquecer e seguir e frente, queria ele. nessa ultima semana me desliguei totamente do mundo exterior, me fechei numa bolha de sentimentos e lembraças, algumas vezes me pegava pensando novamente em nos, ou como nossos filhos seriam, "sera que o menino parecia mais comigo e a menina com o pai?". eu gostava de me martilizar pensando novamente em nos, ou revendo nossas fotos ou conversas. vez ou outra me aventurava em seu perfil e notava que havia excluido todas nossas fotos e meus comentarios romanticos em outras. ele havia superado, havia superado totalmente o "nos", havia apagado nossas lembranças, nosso passado e o futuro (que nunca teriamos), supostamente sua mente e coração pertencia a outra agora, mas aquilo nao estava sendo facil pra mim. sempre me gabei por superar rapidamente relacionamentos, no dia ficava triste e me isolava pelos cantos, no dia seguinte saia por ai sorrindo e sendo a pessoa que realmente era, sempre superei fins rapidos sejam eles amorosos, familiares e amizades. aceitava e com um sorriso no rosto dizia a mim mesma "tinha que ser assim". mas nao daquela vez, nem meu doce preferido me fazia pensar positivo (se bem que ajudaria ter brigadeiro), nem minha musica preferida me faria levantar da cama e dançar. Minha mente implorava ao meu corpo "pare de se culpar, passou, levante a cabeça e siga em frente" mas meu coração insistia de bater na mesma tecla de erro por mais que isso causasse sofrer varias e varias vezes pelo mesmo motivo, tinha que tentar uma ultima vez, dar uma ultima chance aquele amor que tomava conta totalmente do meu ser. arrumei a mala, peguei as alianças que pediria-o em casamento no nosso aniversario de namoro (quem disse que mulher nao pode tomar iniciativa e pedir o cara em casamento?) e peguei o primeiro onibus que encontrei. 25 horas ate meu destino finalmente chegar, a cada segundo que passava observado a paisagem se mover rapidamente me perguntava se era mesmo o certo. se tivesse duas opçoes qual das duas escolheria? superar, tentar esquecer o que sente e seguir em frente ou inisistir naquele amor que estava dentro de si e lutar ate que meu corpo e sua mente dissesem chega, nao quero mais sofrer por um amor nao reciproco? claro, sua moral estaria dizendo que faria a primeira opçao, iria sair para beber, paquerar e seguir em frente afinal a vida continua, ne? mas sera mesmo que seu coração seguiria isso? voce iria resistir a ligar na meio da noite so pra constatar se ele trocou ou nao de numero, iria resistir a olhar as vezes sua rede social em busca de alguem ter tomado o lugar que antes era ocupado por ti? se mesmo depois disso voce preferiu a primeira opção, sinto muito em te dizer meu amigo, mas voce nunca amou verdadeiramente, so aqueles que amaram (ou ainda amam) sabe do que estou dizendo. ao chegar na rodoviaria me olhei no espelo (droga, queria ser rica pra pelo menos viajar de aviao, aquelas ultimas 25 horas nao tinha feito bem nenhum a minha aparencia), tentei arrumar inultimente o cabelo, o frizz tomava-o totalmente deixando fios em formas inacreditaveis, passei um batom vermelho que amava, peguei um taxi mais proximo e dei-le o endereço. em menos de 25 minutos que pareceram uma eternidade eu ja estava a sua porta -O que? R$93,00 por uma viagem de menor de meia hora? - o motorista assentil - sinto muito moça, o preço da gasolina esta caro. paguei ainda fazendo cara feia, observei a varanda, era mesmo sua casa. sorrir, tomei coragem e fui ate sua porta. minhas maos que agora suada deixava escorregaria a caxinha de veludo, meu vestido que antes solto agora grudava no corpo com o calor no Rio. toqui a campainha, uma, duas, tres vezes. Sua mae apareceu na porta, tinha o minimo de esperança que ele pudesse atender a porta (droga, malditos filmes hollywoodianos que nos fazem acreditar em contos de fadas), ela se espantou ao me ve ali, sorrir e pedi que chamassem-o ela o fez, para minha surpresa ele estava diferente de quando estavamos namorando, transparecia estar bem mais feliz, seu sorriso logo se transformou em uma expressao de surpresa, afinal quem viajaria 2895 km so pra ve o ex? lagrimas começam a escorrer deixando a mostra as olheiras da noite anterior mal dormida, a caixinha escorregou da minha mao, eu estava ali, havia ido ali pra reconquista-lo, mas e se alguem esta bem melhor sem voce? me senti a vilã da historia, com passos lentos me afastei da porta, ele me seguiu com os olhos, nada fez para impedir minha partida (nao seria nessa parte do filme em que o mocinho vai correndo atras da menina, diz que ira ficar tudo bem e se beijam?), deixei a caixinha escorrer da minha mao, eu nao fazia mais parte daquela historia, nem siquer sobrara um papel de figurante para que pudesse atuar. sabia que aquele era definitivamente nosso fim. deixei a caixinha escorregar e continei caminhando com passos firmes, finalmente me libertei daquele amor , torci para que um casal feliz e decidido encontrasse as alianças e findasse o amor eterno entre os dois. Afinal como minha melhor amiga sempre diz "Que seja eterno quando for reciproco" 



As pedaladas que o meu eu dava na bicicleta eram tão intensas. 30 km por hora e totalmente desesperado a procura por você, mesmo sabendo da minha única convicção, que nunca te terei novamente eu queria poder te ver naquela noite de domingo.Este final de semana você ouviu meu coração bater pela ultima vez. Textos incompletos como cartas extraviadas, músicas mal ouvidas como conselhos jogados fora, noites mal dormidas como uma criança que tem pesadelos e sentimentos mais bagunçados do que um jogo de quebra-cabeças. Estou auto me destruindo como um viciado em cigarro, você é meu vicio devido a este malditos sentimentos que permanecem afixado em teu olhar, como árvores que fixam suas raízes nos solos férteis da amazônia com mais de cem anos. Não posso deixar-me levar por impulsos sentimentais, quando uma das pessoas que mais amei em toda minha vida, segurou minha mão até fazer-me sentir amado, e do nada seguir por outro percurso. Em toda minha vida, pois morri quando soube que nunca mais iria segurar sua mão.Você levou meu coração junto com você. As palavras ditadas no passado agora são como socos em meu estomago. Simplesmente não paro de sangrar, sangue escorre pelos meus braços enquanto minhas mãos cortam o ar que vem do horizonte.Estávamos deitados sobre a grama de final de um outono que já estava me causando calafrios pela chegada do inverno. Você começou a desmaterializar-se me deixando sozinho. Ainda recordo-me você e eu sentados tomando café juntos no pior melhor café da cidade, e agora… Você tornou-se a pessoa mais insípida ao ouvir meu coração bater pela última vez.
Kleyde Azevedo. Canceriana, 25 anos, Baiana, Escritora, 5 livros publicados, Engenheira Eletricista e pós graduanda em energias renovavéis. Apaixonada por Harry Potter, livros, séries, chocolates, cheiro de chuva, culinária e viagens. Fotógrafa amadora e atriz nas horas vagas. Não começa o dia sem uma xícara de café nem termina sem uma de chá.

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